SOBRE A ORIGEM DO TERMO
SHEKINAH – AQUILO QUE HABITA.
Um
termo não bíblico, mas que aparece nos Targuns e é usado no Talmude para
descrever a presença de Deus no mundo e seu relacionamento com Israel.
Origem
do termo: Shekinah surgiu entre os judeus palestinos e babilônios, sendo
baseado na doutrina do Antigo Testamento da presença divina, que enfatiza a presença imanente
e a atividade de Deus na ordem mundial, e em contradição com o ensino de
Alexandria de que Deus era supramundano e extramundano em seu ser.
Shekinah
era um termo útil para os rabinos, o qual permitia um significado reverente de
trazer o Deus que era "completamente outro" em um contraste com o
universo material, e especialmente em um relacionamento visível e tangível com
o seu povo Israel. Sem dúvida, a ênfase particular da palavra habitação brotou
do ensino do Antigo Testamento de que Deus escolheu habitar entre seu povo e colocar seu nome
num lugar especial na terra. Era um esforço interpretativo para fazer a ponte
entre o céu, como local da residência eterna de Deus, e a terra, como lugar de
sua real atividade, especialmente seu envolvimento com a história de Israel.
Os
Targuns usam a expressão "shekinah de Deus", a glória de Deus
e a palavra de Deus como sinônimos. De fato, os termos shekinah, glória e a
palavra tornaram-se designações do próprio Deus. O Targum de Onkelos traduz
"habite ele (Deus) nas tendas de Sem". Substituindo shekinah pela
presença real de Deus, fazendo a leitura da passagem ser “Deus fará seu
shekinah habitar nas tendas de Sem". O Targum de Jerusalém, a qual era uma
Versão do Pentateuco que surgiu na Palestina, relaciona shekinah, glória e palavra
à afirmação "Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não
vos aborrecera. Andarei entre vós e vós sereis o meu povo". Em outras passagens há um antropomorfismo no
qual shekinah representa a face de (Nm 6.25), a mão de Deus (Ex 17.16), etc.;
mas apesar de tal utilização está abundantemente claro que a Targum considera o
shekinah como o próprio Deus, e não como um mediador que permanecia entre Deus
e Israel. Tornou-se um nome ou título para Deus. Muitas das ideias do Antigo Testamento alimentaram o desenvolvimento do conceito de shekinah. A arca da aliança era o
lugar de habitação de Deus no meio do povo, nos dias antigos. Quando, mais tarde, a arca foi capturada
pelos filisteus, ela se tornou seu inimigo pessoal, ao ponto de dizerem
“Devolvei a arca do Deus de Israel, e torne para o seu lugar, para que não mate
nem a nós, nem ao nosso povo".
A
nuvem que guiou Israel no deserto era compreendida como sendo testemunho da
presença divina.
Stwart-1982
, Tinney-1978, Durant, 1970.
Por
Elessandre Maciel
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