segunda-feira, 29 de outubro de 2018

HISTÓRIAS DA ANTIGUIDADE BÍBLICA



SOBRE A ORIGEM DO TERMO SHEKINAH – AQUILO QUE HABITA.




Um termo não bíblico, mas que aparece nos Targuns e é usado no Talmude para descrever a presença de Deus no mundo e seu relacionamento com Israel.
Origem do termo: Shekinah surgiu entre os judeus palestinos e babilônios, sendo baseado na doutrina do Antigo Testamento da presença divina, que enfatiza a presença imanente e a atividade de Deus na ordem mundial, e em contradição com o ensino de Alexandria de que Deus era supramundano e extramundano em seu ser.
Shekinah era um termo útil para os rabinos, o qual permitia um significado reverente de trazer o Deus que era "completamente outro" em um contraste com o universo material, e especialmente em um relacionamento visível e tangível com o seu povo Israel. Sem dúvida, a ênfase particular da palavra habitação brotou do ensino do Antigo Testamento de que Deus escolheu habitar entre seu povo e colocar seu nome num lugar especial na terra. Era um esforço interpretativo para fazer a ponte entre o céu, como local da residência eterna de Deus, e a terra, como lugar de sua real atividade, especialmente seu envolvimento com a história de Israel.
Os Targuns usam a expressão "shekinah de Deus", a glória de Deus e a palavra de Deus como sinônimos. De fato, os termos shekinah, glória e a palavra tornaram-se designações do próprio Deus. O Targum de Onkelos traduz "habite ele (Deus) nas tendas de Sem". Substituindo shekinah pela presença real de Deus, fazendo a leitura da passagem ser “Deus fará seu shekinah habitar nas tendas de Sem". O Targum de Jerusalém, a qual era uma Versão do Pentateuco que surgiu na Palestina, relaciona shekinah, glória e palavra à afirmação "Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos aborrecera. Andarei entre vós e vós sereis o meu povo".  Em outras passagens há um antropomorfismo no qual shekinah representa a face de (Nm 6.25), a mão de Deus (Ex 17.16), etc.; mas apesar de tal utilização está abundantemente claro que a Targum considera o shekinah como o próprio Deus, e não como um mediador que permanecia entre Deus e Israel. Tornou-se um nome ou título para Deus. Muitas das ideias do Antigo Testamento alimentaram o desenvolvimento do conceito de shekinah. A arca da aliança era o lugar de habitação de Deus no meio do povo, nos dias antigos.  Quando, mais tarde, a arca foi capturada pelos filisteus, ela se tornou seu inimigo pessoal, ao ponto de dizerem “Devolvei a arca do Deus de Israel, e torne para o seu lugar, para que não mate nem a nós, nem ao nosso povo".
A nuvem que guiou Israel no deserto era compreendida como sendo testemunho da presença divina.
Stwart-1982 , Tinney-1978, Durant, 1970.


Por Elessandre Maciel

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